terça-feira, 2 de junho de 2009

Acorda cedo, toma café, liga a televisão no jornal. A jornalista é sempre tão magrinha magrinha, cabelo sempre tão bonito... Na propaganda é uma mulher de 25 fazendo papel de 30, é uma pessoa magra tomando café com adoçante, enquanto podia estar se acabando no açúcar, é um café-da-manhã repleto de frutas e coisas saúdaveis, é a margarina sem gorduras trans e menos colesterol! E a consciência pesando com a colherzinha de chá com açúcar que colocou no café e fatia de torrada com manteiga que acabou de engolir!
Vai se arrumar, a pior hora do dia. Reza para que as roupas caibam! "estou magra, estou magra, estou magra" e vai experimentando as calças do guarda-roupa e escolhendo uma camisa que disfarce as gordurinhas nos lados, a "pochete" que já dá pra notar, que não mostre que os quadris aumentaram, e faça com que se sinta uma vaca, de tão gorda!
Pega o carro, engarrafamento, outdoors, mil imagens! E na cabeça, preciso malhar, preciso emagrecer, preciso diminuir carboidratos, preciso diminuir açúcar, preciso comer mais vegetais, menos pão, mais salada - quanto mais colorida melhor!. Ah Meu Deus! Preciso caminhar, preciso dormir mais cedo, acordar mais cedo, passar mais tempo ao ar livre, comprar roupas que valorizem o meu corpo (que corpo eu quero que seja valorizado?!?)... Preciso parar com isso!
Abre o sinal, carros passam. Mais imagens, na rádio propaganda. Academia, restaurantes, lojas, lojas, produtos, serviços, idéias... Fique bonita, fique de bom humor, esteja em dia com seu corpo...
Quanta tortura pra se viver numa segunda-feira! E a listinha não pára. Roupa, maquilagem, anti-rugas, anti-rugas para área dos olhos, anti-envelhecimento precoce, redutor de manchas, redutor de celulite, de estria, pilates, yoga, escova de chocolate, hidratações, pacote de depilação, usar protetor solar...

SERÁ QUE VENDEM UM CORPO NOVO?

segunda-feira, 18 de maio de 2009

You bring me closer to yesterday
Yesterday's a million miles away...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

São exatamente 19:52. Enfim, o que isso quer dizer? Que fazem 19horas e 52minutos que eu estou entediada.
E o que é o tédio senão a sensação mais burguesa de todas!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O que ela espera é esbarrar num cavalo branco no meio da rua, e que o dono apareça, de óculos escuro, cabelo assanhado, fumando malboro vermelho e lhe pague uma cerveja.
Nesse meio tempo, ele pega na sua mão, ela sorri. E daí, desenrola a história mais linda, e inusitada, do mundo.
Mas não existe príncipe em cavalo branco, e muito menos amor à primeira vista.
Ela corre disso tudo, por mais que no fundo ela espere tanto.

sábado, 7 de março de 2009

Ninguém é capaz de ser assim, tão do jeito que se espera. Cansou das promessas mais curtas que qualquer sonho bom. As palavras que foram ditas sem necessidade, para mascarar algo, ou vai saber qual seria as intenções de tantas palavras... Bonitas e que mantinham a tranquilidade, mas agora só servem para amenizar a superficie, enquanto pelo fundo, as águas estão agitadas e a tempestade não pára. E quem se importa? Quem se importa... Se o fim é sempre igual, em quase todo lugar.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Poderia ser aqueles olhos, aquela negra imensidão, que fascinavam e prendiam; aquele olhar com todo aquele brilho, aquela jovialidade. O ar jovem, a imponência, aquela coisa que temos aos vinte e poucos, que nos dá a falsa certeza de que seremos jovens para sempre e que o mundo é nosso, que nós podemos tudo.
Também poderia ser o sorriso, a timidez, a voz. Enfim, não se sabe ao certo, só é possível saber que seu pensamento se perdia nas lembranças... E discretamente um leve sorriso desabrochava em seus lábios.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

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Pôs seu vestido de cetim preto, costas nuas marcantes, amarrado no pescoço. Prendeu o cabelo em um coque mal-preso, charme displicente.
Pintou os olhos, os lábios. Escolheu um par de brincos, encontrou aquele que já não queria mais, jogou fora o par com todas as lembranças que ele carregava. Procurou um salto, o mais alto, o mais fino e delicado.
Olhou-se no espelho, sorriu. Pegou a bolsa, as chaves. Desceu pelo elevador.
O porteiro do prédio sorriu, "Boa noite", ela falou. E pode-se imaginar o que pensou, quando recebeu o sorriso paterno do Seu Zé quando a viu sair do prédio e entrar no táxi. Ela estava bonita.
O vestido caia pelo seu corpo; leve, marcava a suavidade do seu andar.
No táxi pediu para que pegasse a direita e seguisse até sair da cidade, e na terceira rua à esquerda, quase na praia... E a noite seria interminável.
Retocava o baton, pensando se realmente deveria estar se dirigindo aquele lugar, e encontrar aquelas pessoas... Bom, ela já estava no carro de qualquer maneira, o que significa que ela só pensa na possibilidade de não ir por mera distração, pois ela já estava a caminho. E sabia exatamente o que aconteceria, manteriam a postura, ponto.
Chegou, e tal qual imaginou, cada passo premeditado, acontecia, não na mesma ordem, nem com a mesma velocidade em que seu pensamento processou.
Vez por outra, inventava algum motivo para sair da roda de conversa e passear pelas outras. Dançava, cantava. Conversava e gargalhava junto aos outros homens da festa. Lá pelas tantas, trocou champagne por whisky, numa tentativa de transformar a festa em algo mais interessante. Conversava com os músicos, com os casais, brincava com as crianças ainda acordadas que corriam pelo salão e jardim. Tentativas inúteis.
Até sentir-se abraçada pela cintura... E não foi preciso que a velha conversa repetida fosse iniciada, para que os lábios se encontrassem novamente, com saudade.